Eu abro a caixa de correio,

lá dentro só existem contas.

Vencidas, não serão pagas.

 

Há muito tempo que ninguém escreve cartas.

Apenas envelopes timbrados

com nomes impessoais:

bancos, empresas, corporações.

Nem um único ser humano para me desentender.

 

Eu tento conversar com alguém,

mas parece que só eu me importo.

Alguns se preocupam e oferecem dinheiro emprestado.

 

Continuo escrevendo cartas sem destinatário.